terça-feira, 20 de junho de 2017
quinta-feira, 8 de junho de 2017
quinta-feira, 11 de maio de 2017
MEU TIO, A ORIGEM DO DINHEIRO E A DELAÇÃO MAIS QUE ‘FORÇADA’ NA DÉCADA DE SESSENTA
MEU TIO, A ORIGEM DO DINHEIRO E A DELAÇÃO MAIS QUE ‘FORÇADA’ NA DÉCADA DE SESSENTA.
Laércio Andrade de Souza
Laércio Andrade de Souza
Era comum nas décadas de 60 e 70, os governadores nomearem os delegados e subdelegados para os respectivos municípios e distritos.
Nomeavam também os ‘juízes de paz’, que juntos com os delegados, subdelegados e donos de cartórios comandavam as respectivas comunidades. Eram pessoas muito influentes e que decidiam assim os casos e ‘causos’ que lhes chegavam.
Eram requisitados, geralmente dentre os parceiros políticos do governador, e/ou a pedido de deputados aliados a este durando até a mudança da política, quando alguns permaneciam e outros eram sumariamente demitidos face a alteração política.
E a escolha para subdelegado de ‘Serrinha’ – vila pertencente ao quarto distrito de Bom Jesus do Itabapoana – coube a meu tio ‘Filinho’, como era conhecido e, cabo eleitoral do antigo PTB, que fazia o contraponto com os ‘Motas’, do antigo PSD, partido contrário ao então governador Roberto e Badger Silveira e que se digladiavam durante as eleições.
Certo dia apareceu na localidade, um cidadão carioca com trejeitos de malandro, andando de lá pra cá, no pequeno povoado com aquele jeito de ser e falar.
Eu estava na varanda da fazendola, visitando minha inesquecível e adorável vó Balbina, quando o cidadão apareceu procurando por tio ‘filhinho’. Queria fazer uma denúncia!
Disse ele ao meu tio: ‘Doutô', me roubaram 100.000,000 milhões de cruzeiros (cerca de cem mil reais hoje) que trouxe do Rio e queria que o ‘sinhor’ (sic), como ‘otoridade’ máxima desse lugar descobrisse o ladrão’.
Interessado, na conversa de adultos, e com doze para treze anos de idade, passei a acompanhar não só a conversa, mas a atitude de meu tio, cuja função admirava, pois entre outras coisas, portava um revólver branco da marca Smith, cabo de madrepérola, na cintura, bem à vista de todos.
Tio ‘filinho’, após o relato do denunciante, calmamente, chamou o ajudante de ordens (um bate-pau do subdelegado), e disse:
- Prenda esse sujeito lá no cubículo!
Apavorado e surpreso, o ‘carioca’, perguntou ao tio:
-Por que o senhor está me prendendo, já que eu fui o ‘roubado?’
Tio ‘filhinho’ nada disse... nada respondeu! Se limitou a tirar da gaveta um enorme cadeado (daqueles que trancavam as porteiras da fazenda), juntamente com compridas correntes e mandou o infeliz para o ‘xilindro!’
O cubículo, onde o ‘carioca’ ia ficar detido (cerca de 200 metros da casa da vovó Balbina, onde o tio morava) era feito de pranchões fincados mais de metro adentro, no solo encharcado com muita água e umidade e sem lugar até para o cara fazer as ‘necessidades fisiológicas básicas’ e/ou mesmo, sentar-se ou dormir! Parecia mais uma pocilga!
Era praticamente impossível fugir de lá!
Nomeavam também os ‘juízes de paz’, que juntos com os delegados, subdelegados e donos de cartórios comandavam as respectivas comunidades. Eram pessoas muito influentes e que decidiam assim os casos e ‘causos’ que lhes chegavam.
Eram requisitados, geralmente dentre os parceiros políticos do governador, e/ou a pedido de deputados aliados a este durando até a mudança da política, quando alguns permaneciam e outros eram sumariamente demitidos face a alteração política.
E a escolha para subdelegado de ‘Serrinha’ – vila pertencente ao quarto distrito de Bom Jesus do Itabapoana – coube a meu tio ‘Filinho’, como era conhecido e, cabo eleitoral do antigo PTB, que fazia o contraponto com os ‘Motas’, do antigo PSD, partido contrário ao então governador Roberto e Badger Silveira e que se digladiavam durante as eleições.
Certo dia apareceu na localidade, um cidadão carioca com trejeitos de malandro, andando de lá pra cá, no pequeno povoado com aquele jeito de ser e falar.
Eu estava na varanda da fazendola, visitando minha inesquecível e adorável vó Balbina, quando o cidadão apareceu procurando por tio ‘filhinho’. Queria fazer uma denúncia!
Disse ele ao meu tio: ‘Doutô', me roubaram 100.000,000 milhões de cruzeiros (cerca de cem mil reais hoje) que trouxe do Rio e queria que o ‘sinhor’ (sic), como ‘otoridade’ máxima desse lugar descobrisse o ladrão’.
Interessado, na conversa de adultos, e com doze para treze anos de idade, passei a acompanhar não só a conversa, mas a atitude de meu tio, cuja função admirava, pois entre outras coisas, portava um revólver branco da marca Smith, cabo de madrepérola, na cintura, bem à vista de todos.
Tio ‘filinho’, após o relato do denunciante, calmamente, chamou o ajudante de ordens (um bate-pau do subdelegado), e disse:
- Prenda esse sujeito lá no cubículo!
Apavorado e surpreso, o ‘carioca’, perguntou ao tio:
-Por que o senhor está me prendendo, já que eu fui o ‘roubado?’
Tio ‘filhinho’ nada disse... nada respondeu! Se limitou a tirar da gaveta um enorme cadeado (daqueles que trancavam as porteiras da fazenda), juntamente com compridas correntes e mandou o infeliz para o ‘xilindro!’
O cubículo, onde o ‘carioca’ ia ficar detido (cerca de 200 metros da casa da vovó Balbina, onde o tio morava) era feito de pranchões fincados mais de metro adentro, no solo encharcado com muita água e umidade e sem lugar até para o cara fazer as ‘necessidades fisiológicas básicas’ e/ou mesmo, sentar-se ou dormir! Parecia mais uma pocilga!
Era praticamente impossível fugir de lá!
De hora em hora, o ‘carioca’, aos berros e manifestamente apavorado implorava por sua soltura. Mas tio ‘filinho’, nenhuma atitude!
Aquilo me incomodava muito, posto que, criança, ficava perplexa de quando o tio iria soltar o pobre ‘diabo!’ Afinal seria ele a vítima do furto, como argumentara, em sua denúncia ou tinha forjado uma farsa sobre o desaparecimento do dinheiro?
Depois de muitas perguntas, e já no outro dia, posto que o indigitado denunciante passara a noite toda no insalubre cubículo, o tio subdelegado, mandou trazer, a tardinha, o pobre ‘lesado!’ a sua presença e disse:
-Eu vou soltá-lo depois que você falar quando, como e onde foi furtado e como arrumou esse dinheiro todo, como alega.
Ele, de perfil simples, para não dizer, simplório, ficou todo enrolado e disse depois de muita reticências, ‘confessou’ para tio ‘filhinho’:
-Na verdade, inventei essa história, pois queria ‘descolar’ algum dinheiro dos comerciantes e políticos locais, pois as pessoas da roça são sensíveis aos que perdem tudo!
Aquilo me incomodava muito, posto que, criança, ficava perplexa de quando o tio iria soltar o pobre ‘diabo!’ Afinal seria ele a vítima do furto, como argumentara, em sua denúncia ou tinha forjado uma farsa sobre o desaparecimento do dinheiro?
Depois de muitas perguntas, e já no outro dia, posto que o indigitado denunciante passara a noite toda no insalubre cubículo, o tio subdelegado, mandou trazer, a tardinha, o pobre ‘lesado!’ a sua presença e disse:
-Eu vou soltá-lo depois que você falar quando, como e onde foi furtado e como arrumou esse dinheiro todo, como alega.
Ele, de perfil simples, para não dizer, simplório, ficou todo enrolado e disse depois de muita reticências, ‘confessou’ para tio ‘filhinho’:
-Na verdade, inventei essa história, pois queria ‘descolar’ algum dinheiro dos comerciantes e políticos locais, pois as pessoas da roça são sensíveis aos que perdem tudo!
Tio ‘filinho’ mandou o ‘bate-pau’ (ajudante de ordens), desamarrar o infeliz, dando-lhe dez minutos para que ele desaparecesse da vila, senão sua prisão poderia alongar-se por meses.
O ‘carioca’, correu como numa competição olímpica, desaparecendo na direção da estrada de chão batido que dava acesso a estrada principal’, que era mais ou menos de 10 quilômetros.
Nunca eu tinha visto alguém correr tanto!
O ‘carioca’, correu como numa competição olímpica, desaparecendo na direção da estrada de chão batido que dava acesso a estrada principal’, que era mais ou menos de 10 quilômetros.
Nunca eu tinha visto alguém correr tanto!
Lembrei-me dessa história, face um amigo, influente jornalista, dizer que um conhecido político ‘iria fazer um investimento de Rs. 15 milhões de reais numa hidroelétrica no Rio Muriaé!’ (sic).
Primeiramente pensei: o rio Muriaé já não tem quase água para preencher o seu leito ainda mais para comportar uma hidroelétrica! Depois, o investimento é muito alto pelas ‘posses’ do ‘investidor’, numa área tão conturbada e de grande competição e dificuldades de aprovação de projetos, análise de impactos ambientais etc. como a de geração de energia elétrica hidráulica.
Contei a ele a história do tio ‘filhinho’, pois primeiro precisaria prender esse ‘investidor’ até que ele falasse a origem dos 15 (quinze) milhões, principalmente com o país com sérios problemas econômico-financeiros.
Faria, depois de uns dias num ‘cubículo’ que poderia ser em Bom Jesus do Itabapoana ou mesmo no de Itaperuna uma delação mais que premiada: forçada!
Creio que ele se mandaria da cidade para o bem de toda a comunidade, ou correria até o Amazonas, Pará etc. onde pelo menos há fartura de água!
O autor é contista e cronista da Academia Itaperunense de Letras (cadeira ‘14’.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
O boi pintadinho
Laércio Andrade de Souza
Seu ‘Nestor’
(vamos chamá-lo assim), era uma figura enigmática. Diria,
‘indecifrável’ em seus gestos, gostos e atitudes,
divertimentos. Ninguém sabia do que ele
gostava como diversão, já que era por demais ‘sisudo!’.
Sistemático
ao extremo, vestia (fosse calor ou frio) camisas de mangas compridas abotoadas
das mangas ao pescoço (como aquelas golas de padres) que tanta aflição causa a
muita gente.
Deixava para
fazer suas comprar (fumo de rolo, sal de cozinha e querosene), ao anoitecer, na
vendinha do senhor ‘Nalinho’, onde meu irmão trabalhava, junto com outro
‘caixeiro’, muito gozador, chamado Paulo Salvador.
De ‘salvador’,
não tinha nada! Era’ tolerado’ no
emprego por ser sobrinho do dono e exímio jogador de futebol do ‘LIBERDADE
ESPORTE CLUBE’.
Sua ‘especialidade’, entretanto, era a de grande
‘gozador’ e de criar situações
inusitadas que causavam risadas e incorporavam ao anedotário da pequena
vila de Carabuçu – quarto distrito de Bom Jesus do Itabapoana-rj, nossa terra
natal.
E ele observando
o tom diferente de seu Nestor, decidiu investigar o que este gostava como
diversão, posto que,ninguém sabia
nada sobre o enigmático senhor. Apenas que trabalhava semana inteira na roça,
pouco falando, pouco dialogando com quem quer que seja.
Mas Paulo
‘descobriu’ certa feita, que a ‘armação’
do ‘boi pintadinho’ era feita , na roça, casa do sr. Nestor, com recursos de
seu conhecidos e colegas de trabalho.
Era construída
com ‘taliscas’ de bambu e forrada com um tecido chamado de ‘chita’. Abaixo do
‘boi’ tinha um lugar específico para acomodar os ombros da pessoa que iria ‘sambar’, no dia da festa da
vila, no meio da multidão (!),(parecia que todos os habitantes) iam ver o tal
‘boi pintadinho’ nas proximidades da venda, rodeado por ‘mulinhas’ (denominação das
pessoas que rodeavam o ‘boi’ para não deixar ninguém se aproximar ou incomodar
a dança do ‘boi’, nem saber quem estava por ‘debaixo dos panos’ que o cobria).
E a dança
‘esquentava’, às vezes, por horas!
O ponto alto
da apresentação do ‘boi’ era quando, após dançar, por mais de hora, era o
momento da ‘cantoria’, onde as pessoas faziam pergundas e o ‘boi’ as respondia
repentinamente!
As mais comuns
eram: ‘Esse boi é pintado?’, ao que o enigmático seu ‘Nestor’ respondia: ‘É sim
senhor!’.
E a plateia continuava:
‘Esse boi é malhado? ‘É sim senhor!’ –
respondia o boi com a voz alterada e cadenciada do Sr. Nestor.
Paulo,’ o salvador’, tudo assistia de dentro da venda e ‘bolava’ mais
uma de suas costumeiras gozações!
Mas como fazê-la, em tom anônimo, jocoso e perturbador, sabendo que
debaixo do ‘boi’, estaria o sistemático/enigmático, desconhecido da
assistência. O incrível, senhor.
‘Nestor?
Observando ‘Matola’, um inveterado e costumeiro bebedor de cachaça na venda, Paulo encontrou a
solução mais própria para ocasião.
Disse a ‘Matola’: ‘Se
você fizer uma pergunta (logo após as costumeiras perguntas ao’boi’, na hora da ‘cantoria’, eu te darei uma boa
dose de cachaça ‘Matinhos’ (a melhor da época) , acompanhada de um bom pedaço
de salame, o que ‘Matola’ adorava para ‘tira-gosto’.
Interessado na pinga, ‘Matola’ não se conteve: ‘Diga aí o que eu tenho
que fazer!’
Paulo deu as coordenadas: ‘Na hora das perguntas, você
em ‘alto e bom som’, escondido na ‘sacaria’ de arroz e milho que se acumulava
próximo à venda, vai dizer após as perguntas
e respostas clássicas, como: Esse boi é malhado?... dizer assim: ‘Esse boi é viado?’
- Nunca, respondeu seu ‘Nestor’, debaixo do da armação do ‘boi
pintadinho!’ . E loucamente enfurecido, jogou a armadura do ‘boi’ ao chão e
respondeu com extrema raiva.
-Nunca... nunca esse ‘boi’ será
‘viado!’
E sacando do bolso traseiro um gigante
canivete ‘cabo de osso’, com que cortava as unhas dos pés, cascos dos cavalos e
demais equinos , e usava para preparar
pacientemente seu cigarro de’ fumo de
rolo’, adentrou agitadamente para dentro
da venda em busca do autor da ofensiva e maliciosa pergunta, ouvida por todos
os presentes que caíram em gargalhadas sem fim.
‘Matola, embora meio ‘grogue’, se
escondeu no meio da ‘sacaria’ de arroz e milho, safando-se de uma canivetada que poderia ser mortal, tal o ódio
de seu ‘Nestor’ em ser comparado a um ‘viado’, já que na roça ninguém perdoaria
alguém ser homossesual. Pois, afinal era
ele a figura representativa do folclórico ‘boi pintadinho’. Além do mais, ao ver desvendada sua única diversão, única fantasia, até
então cercada do maior sigilo possível.
Narra-se essa história, não só por causa da ‘gozação’ que causou em
quase toda população carabucense, mas para demonstrar que todas as pessoas tem
suas formas de divertir, fantasias (até
mesmo sexuais!) só que muitos primam
pela negativa e/ou, anonimato obedientes a natural privacidade.
Mas, cuidado! Pode aparecer um ‘Paulo Salvador!’ e...
O autor é membro fundador da Academia
Itaperunense de Letras, presidente emérito, ocupando a cadeira ‘14’, que tem
como patrono local, o pe. Hubert Lindelauf e Alceu Amoroso Lima, como referência
nacional.
sexta-feira, 17 de março de 2017
Crônica de uma
pregação (mal/bem) sucedida.
Laércio Andrade de Souza.
Era uma dessas alunas que mexem com as fantasias de qualquer
professor, principalmente, jovem!
Alta, esguia, morena
e bem falante. ‘Pecava’ pelo seu trajar, envolta num vestido que descia aos
pés!
Os colegas falavam
que era exigência da sua denominação. As evangélicas, desta tinham que se
vestir ‘adequadamente’, para não despertar o mínimo de sensualidade. Nada de
joelhos à mostra!
Sua entrada na sala de
aula, despertava na garotada manifestações mais variadas. Desde um assobio
(muito comum à época!), até as mais ousadas, como: “entrou a crente ‘boazuda
etc. etc.
Como ‘austero’
professor de latim, não poderia deixar de repudiar as manifestações dos alunos,
manter a disciplina e tocar a matéria, nada fácil de ensinar e/ou despertar
interesse.
‘Vamos à próxima
declinação!’ – asseverava, como forma de ‘conter’ a empolgação com a entrada da
bonita aluna, que não sei o porquê, chegava sempre atrasada!
‘MC’, vou dizer só as
iniciais (ela possivelmente está muito viva possivelmente ‘pastoreando’) não
perdia nenhuma oportunidade para tentar falar alguma coisa da bíblia, que
educadamente, ‘repudiava!’, dizendo: ‘Aqui é sala de aula, não Igreja!’ ‘Vamos
conversar em outra oportunidade’.
Mas ‘MC’ era por
demais insistente!
De quando em quando,
voltava ‘a carga’ com citações da bíblia.
‘Professor, o senhor
sabia que Cristo era um grande professor?
-Sei!’ Respondia,
secamente para evitar o prolongamento da conversa, ‘evangelização e/ou
catequese’, sei lá!
Mas, suas atitudes
evangelizadoras, chamavam a atenção, não só dos meninos/meninas, mas também do
professor que lhes escreve.
Certo dia, meio
chateado, mas também curioso, respondi, num intervalo da aula, a uma pergunta dela.
Perguntou-me se podia
falar coisas da Bíblia, comigo, em outro lugar!
Acedi! ‘Vá ao meu
escritório, onde preparo minhas aulas!’ Na época, ocupava uma das salas do
Edifício ‘Rotary Club’ de Itaperuna, com esse nome, posto que fora idealizado e
construído por rotarianos (essa ‘maçonaria branca’), como a definia o saudoso padre alemão Higino
Latteck! e que tive a honra de pertencer por um tempo, influenciado por minha
esposa, que queria que eu substituísse seu pai, um grande rotariano.
Num sábado outonal,
pela manhã, eis que chega deslumbrantemente ‘MC ao meu escritório’, portando
uma bíblia, folhetos e outras coisas mais.
Sacanamente, pensei: ‘Hoje
você pode pregar a vontade, pois aqui estou longe de meu reduto professoral, e ‘isento’
de qualquer falatório malicioso/tendencioso’ dos demais alunos. Uma conversa
particular!
Ela, rapidamente, começou: ‘O professor já ouviu ou leu um salmo
de Davi?
‘Aquele sacana, que
mandou seu general para guerra para ficar com a mulher dele? Respondi.
Ela percebeu que eu
tinha alguns ‘conhecimentos’ bíblicos, fruto de minha infância de ‘coroinha’ de
um padre tradicionalista, por sinal um santo sacerdote, que já partiu.
E ela falava, falava,
e eu, solteríssimo, descompromissado, prestava mais atenção nas poucas silhuetas
que seu corpo coberto permitia, que nas
pregações, adredemente preparadas.
De olhar fixo, em sua
beleza, não prestava muita atenção no que ela dizia. Estava mais focado em sua
beleza física que em sua catequese!
E prosseguia: ‘Professor,
o senhor sabe da atuação das mulheres na bíblia, como Ester... Madalena etc.
etc.
‘Madalena’ foi salva
por Cristo, do apedrejamento face o machismo predominante na época e que hoje
ainda persiste!’ Asseverei.
Divagando, e com o
pensamento em outras coisas, respondia aleatóriamente: ‘Sim, eram
interessantes!’
‘E Dalila?’ Aquela
que cortou o cabelo de Sansão? Despistei.
‘É, foi um caso de
traição, mal resolvido!’ Objetei. ‘Mas ele não era filho de Davi?’ Aquele que
falamos lá atrás?’
‘Vou ler uma passagem
do Cântico dos Cânticos’ apelava, certamente vendo minhas ‘terceiras’ ‘quartas’
intenções!
“Vem meu amado, vamos
ao campo...'
.........................................................................................................................................................................
‘Lá te darei meu amor...!’
Décimo poema.
Aí, não aguentei: ‘Isso
não é de Salomão, aquele filho de Davi, fruto da relação com a mulher de seu general?
‘Não professor, não é
bem assim!’
Então... Não estou
entendendo nada!
Aliás, desde o
começo!
‘Já não sei o que
faço, ou o que o coração me diz...’ como na canção de Júlio Iglesias!
Mas como ‘cantar’
aquela ‘crente’, tímido e ainda mentalmente policiado pelo respeito que restava
do ‘austero’ professor de latim?
Como extravasar aquele
desejo incontido de ‘namorar’ uma evangélica, uma daquelas ‘taras’ juvenis?
Ficaria tudo ‘sacramentado’,
como dizia um amigo meu, de aventuras juvenis!
Mas descobri, no
final da história, que ela não estava tanto com ‘aquela vontade exacerbada de
me evangelizar’.
Estava certamente, ‘apaixonada’
(sic) pelo professor! O que não é incomum na adolescência.
Houve outros
encontros, outras pregações, ‘evangelizações’. Mas o final da história deixo ao
sabor da interpretação do amado leitor(a).
Josepha, ainda não
tinha me ‘catequisado!’
O certo, e disso
estou certo, que o desejo de ‘namorar uma evangélica daquelas’, persiste, não
como um ‘trauma’ mas uma incontida tentação de ver tudo ‘sacramentado’, catequizado, e sacanamente realizado, como insistia meu
amigo de aventuras juvenis.
Mas o que posso
adiantar, é que foram manhãs e jovens tardes inesquecíveis de outono.
Itaperuna, 06 de março de 2017.
O autor é cronista e membro da academia itaperunense de letras.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
'Para terdes uma idéia de vossa
importância na restauração de um pais, permitam-me que num relance histórico eu
me volte para um célebre episódio:
Conta-se que numa reunião de sábios
na antiga Grécia, discutiu-se a sorte de um estado que ameaçava ruína. Uns
sugeriram modificações das instituições, outros nova demarcação de fronteiras,
outros substituição dos funcionários públicos e as mais prodigiosas e radicais
fórmulas de se solucionar o problema.
Quando, Demóstenes, tomando um fruto
apodrecido à mão, assim exclamou: este é o estado que discutimos. E deixou-se
cair ao solo esborrachando-se.
Então, caro colega – inquiriu um dos
presentes – a república não tem solução. E Demóstenes abaixando-se apanhou uma
minúscula semente que havia se separado do pericarpo apodrecido e disse: Aqui
esta a salvação da república. A germinação desta semente dará uma nova, rija,
grande arvore. Esta semente é a juventude esta semente sois vós alunos do São
José.
Embora a nossa república não esteja
totalmente deteriorada – melhor ainda – mas mesmo assim estivesse a solução
seria vós.
Conjugai, pois todos os vossos
esforços. Pondo desde logo vossa mocidade a SERVIÇO DA PÁTRIA, estudando
reverenciando-a falando a verdade e estareis ajudando a construir também o
BRASIL GRANDE, O BRASIL NOVO, O BRASIL onde reine para todo sempre a bandeira
da ORDEM E DO PROGRESSO'.
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